Nota política - Sobre a greve na UFV e o posicionamento do DCE

A paralisação é a única ferramenta efetiva de pressão que os servidores possuem, e interromper o funcionamento normal da universidade é precisamente o que evidencia a substancialidade dos seus serviços.

Nota política - Sobre a greve na UFV e o posicionamento do DCE

Nota política do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e da União da Juventude Comunista (UJC) em Viçosa (MG)

Desde o dia 23 de fevereiro, os trabalhadores técnico-administrativos estão em greve na Universidade Federal de Viçosa. Esse movimento é uma resposta à quebra do acordo de greve firmado em 2024 com o governo federal, quando os técnicos e os professores paralisaram suas atividades. O PCBR em Viçosa apoia e entende que a nova paralisação é legítima e não tem relação apenas com os trabalhadores em greve, mas sim com todos os trabalhadores e estudantes que atuam na universidade.

Os interesses dos trabalhadores técnico-administrativos não são descolados dos interesses dos demais trabalhadores, terceirizados ou não, e dos estudantes. O não cumprimento do acordo de greve demonstra uma postura de precarização do serviço público e de indiferença às demandas dos trabalhadores por parte do Governo Federal e que, juntamente com o Teto de Gastos e com os cortes que vêm acontecendo há anos, por várias administrações, prejudica todos que dependem do espaço da universidade. Como o cenário nos próximos anos é de intensificação dos ataques à classe trabalhadora, a única saída é a unidade entre todos os trabalhadores e estudantes na luta por melhores condições.

A gestão do DCE tem atuado para desmobilizar os estudantes e colocá-los contra os trabalhadores em greve, como se a luta de um grupo fosse antagônica a do outro ou como se simplesmente não tivessem relação entre si. Essa falsa separação entre lutas não é recente, e cumpre o papel de enfraquecer a organização coletiva dentro da universidade. A responsabilização dos trabalhadores só pode partir de uma análise superficial e corporativista, que não toca na raiz da precarização da universidade. O DCE desloca a responsabilidade da crise causada pelo governo Lula, que descumpriu acordos firmados com os trabalhadores. Em última instância, o DCE contribui para que os estudantes não se somem à luta em defesa da universidade, que diz respeito a seus próprios interesses.

É importante reconhecer como a greve afeta a vida estudantil como um todo, e que os impactos na vida dos estudantes são relevantes. No entanto, essas são consequências da intransigência do governo. A paralisação é a única ferramenta efetiva de pressão que os servidores possuem, e interromper o funcionamento normal da universidade é precisamente o que evidencia a substancialidade dos seus serviços.

Não há como distanciar a vida acadêmica das condições de trabalho que a sustentam. A universidade não funciona sem o trabalho técnico-administrativo, assim como não cumpre seu papel sem os estudantes. Colocar esses grupos em lados opostos significa ignorar que ambos são afetados pelas mesmas políticas de corte, precarização e desmonte do serviço público. O papel das entidades estudantis é atuar no sentido de construir unidade, reconhecendo que a luta por assistência estudantil, por melhores condições de ensino e por permanência está diretamente ligada à valorização dos trabalhadores que garantem o funcionamento da universidade. Não existe defesa dos estudantes sem defesa dos trabalhadores.

O PCBR em Viçosa reafirma seu apoio à greve, e sua premissa de que somente a organização conjunta entre os estudantes e trabalhadores, em uma mobilização coletiva, é capaz de enfrentar os ataques em curso. Tentar isolar a greve e deslegitimar as reivindicações de quem trabalha diariamente para garantir uma trajetória adequada aos estudantes, enfraquece não somente os servidores, como a comunidade universitária como um todo.