Nota política - Não existe futuro com o teto de gastos da USP! Todo apoio à luta do SINTUSP e dos estudantes!
A força das mobilizações, até agora demonstrada, foi fruto direto das articulações entre os estudantes e servidores organizados! Não é à toa que a USP deseja controlar mais e mais os espaços estudantis, pois é neles que uma real reação pode ser alcançada.
Nota política da União da Juventude Comunista (UJC) na USP em São Carlos (SP)
Sobre os acontecimentos recentes em toda USP
No dia 31/03, os servidores técnico-administrativos (TAs) associados ao SINTUSP realizaram uma paralisação, apoiada pelo movimento estudantil (ME) e pela ADUSP, em luta direta contra a minuta que direciona R$ 238 milhões em bonificações apenas para os docentes da universidade. Frente a essa quebra de isonomia, as entidades estudantis vêm se organizando para integrar a mobilização dos TAs. A esse movimento, os discentes somam suas próprias exigências, lutando pela autonomia dos espaços acadêmicos atacados pela reitoria, pela transparência da USP em suas deliberações — com total isonomia nas decisões entre os três setores —, e por condições dignas de permanência e infraestrutura nos campi.
As mobilizações consequentes, construídas em unidade entre estudantes e trabalhadores da universidade, não começaram com a denúncia da quebra de isonomia em relação às bonificações recentes. Carregam consigo as contradições que se arrastam conforme o projeto político burguês tem avançado sobre a USP e sobre os direitos da classe trabalhadora nesses espaços. Nesse sentido, enquanto as diferentes gestões da Reitoria escamoteiam os problemas centrais, envolvendo os planos de fundo de financiamento privado da USP e a ampliação das terceirizações e privatizações de Hospitais e Moradias estudantis sob o discurso de austeridade fiscal — os funcionários têm visto suas condições de trabalho cada vez mais deterioradas e os estudantes, suas necessidades de permanência, qualidade de vida e ensino abandonadas em todos os campi. Esse resultado também expressa a completa exclusão de alunos e funcionários em relação às decisões políticas da USP que afetam diretamente suas vidas e o futuro da universidade pública, reiterando o caráter burguês do projeto de Estado e Universidade a que estamos submetidos.
Em resposta, tanto o SINTUSP quanto o movimento estudantil, em São Carlos representado pelo CAASO, pelas Secretarias Acadêmicas (SAs) e pelo Aloja, pautam uma unificação dos três setores por uma paralisação e possível greve. Estão marcadas assembleias locais, coordenadas pelas SAs, e uma assembleia geral, no palquinho do CAASO, às 18h, para determinar a adesão ao movimento geral.
Os efeitos no CAASO, campus de São Carlos
O ataque aos funcionários da universidade não é novidade em São Carlos. Em 2023, o campus despontou uma paralisação estudantil que dentre todas as suas reivindicações um elemento era central: o estrangulamento do orçamento contra os alunos, funcionários e docentes.
À época, o CAASO denunciou, junto aos servidores terceirizados da limpeza, o andamento de uma demissão em massa; a frota de ônibus, responsável pelo transporte entre campi, estava sendo privatizada, ao mesmo tempo em que era sucateada pela prefeitura universitária, com superlotações e a precarização do trabalho dos motoristas; o bandejão, terceirizado, sobrecarregava os funcionários com cortes no número de contratados, apresentava denúncias sanitárias constantes, filas intermináveis e intensos desconfortos térmicos, além de não garantir as refeições mínimas nos fins de semana e aos alunos do campus 2. Por fim, os prédios do Alojamento se encontravam em situações deploráveis, com falta de manutenção, infraestrutura precária e sujeitos constantemente a alagamentos que ainda comprometem a segurança dos estudantes.
Desde então, vitórias importantes em relação a essas pautas foram obtidas pelos estudantes nessa paralisação. Porém, as melhorias realizadas nestes serviços e na permanência estudantil não são nem de longe suficientes e todas as contradições expostas em 2023 se perpetuam até hoje.
Tal descaso não é coincidência! A USP perpetua um projeto de sucateamento e privatização do seu funcionalismo!
O teto de gastos da USP e o descaso
Há mais de uma década, a USP busca tornar a austeridade uma realidade contra os estudantes e trabalhadores.
Em 2013, quando houve o pico mais recente de TAs efetivados, a universidade passou a impor medidas de contingenciamento em prol da terceirização de todas as funções. Até hoje, quase 5 mil TAs foram perdidos, uma redução de quase 28%, com parte reposta via terceirizações. Ao mesmo tempo, os investimentos em permanência, desde sempre insuficientes, não acompanharam nem ao menos o crescimento real do orçamento.
O processo culminou, em 2017, no Teto de Gastos da USP, ou os “Parâmetros de Sustentabilidade Econômico-Financeiros”, que limita o gasto orçamentário em pessoal a 80% do total anual, caso contrário há punições diretas aos trabalhadores. A partir dessa norma, a privatização gradual da universidade e a austeridade se tornam lei, visto que as verbas para empresas privadas não são contabilizadas. Os TAs perdem seus direitos cada vez mais e os alunos são abandonados.
Todas as falhas no atendimento aos estudantes não são coincidência, mas do fato de que a USP escolheu se guiar pelas mesmas práticas neoliberais que ocorrem em todo país.
A política da USP é a política do neoliberalismo brasileiro
A perpetuação do discurso da austeridade não é exclusividade da USP. Em nível nacional, desde o final do governo Dilma, reforçado pelo Teto de Gastos de Temer, apoiado por Bolsonaro e agora reformulado por Lula-Alckmin no Novo Arcabouço Fiscal, o projeto neoliberal é continuado em todas as frentes do orçamento público.
Universidades como a UFSCar e a UFRJ já ameaçaram fechar pelo contingenciamento orçamentário que sofreram por anos, assim como várias outras que possuem faltas de infraestrutura, com queda de 80% do orçamento real das universidades federais desde 2016. Qualquer visão estratégica de desenvolvimento do Brasil para os trabalhadores é, assim, descartada.
Ao invés de combater a ideologia neoliberal, a USP, comandada por setores da burguesia paulista no Conselho Universitário (CO), opta por reforçá-la. Desde a crise orçamentária generalizada nas federais, a universidade aplaudiu suas iniciativas de asfixia, evidenciada nos relatórios de gestão pós-2017, como uma “universidade andando para o futuro”, em suas próprias palavras. O “futuro”, para a reitoria, é o que vemos agora.
Consequentemente, a adesão ao modelo neoliberal é um aval à destruição dos direitos dos funcionários, da qualidade de vida e permanência dos alunos e ao abandono de um projeto soberano de ciência e tecnologia.
O movimento estudantil, os trabalhadores e a Universidade Popular
O que fica evidente é que o CO, com representação direta dos governos estaduais e frentes empresariais e mínima composição estudantil e dos funcionários, não trabalha pelos interesses daqueles que compõem a USP, mas por uma ideologia que apenas beneficia o grande capital.
A única resposta possível é — e sempre foi — a organização do ME são-carlense pela luta por uma universidade vinculada aos interesses do povo, a Universidade Popular. E para isso, é necessária uma unidade cada vez maior entre as entidades representativas dos funcionários, discentes e docentes.
A força das mobilizações, até agora demonstrada, foi fruto direto das articulações entre os estudantes e servidores organizados! Não é à toa que a USP deseja controlar mais e mais os espaços estudantis, pois é neles que uma real reação pode ser alcançada.
Nesse sentido, nós, a União da Juventude Comunista e o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, expressamos total solidariedade e apoio à luta, e cerraremos as fileiras junto com servidores e estudantes da USP em São Carlos e todos os campi!