A Plataforma Comunista Revolucionária para a UFRGS: por um movimento estudantil a serviço da classe trabalhadora
Esta Plataforma é um chamado a toda pessoa que quer um movimento estudantil que represente, acima de tudo, os interesses da classe trabalhadora, dos povos oprimidos do Brasil e do mundo, e de cada estudante da UFRGS.
Nota política da União da Juventude Comunista (UJC) na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Vivemos um acirramento da luta de classes em todo o mundo e cada vez mais seus efeitos são sentidos na pele da classe trabalhadora. Por um lado, as burguesias internacionais avançam sem qualquer receio ou resistência, diante da ausência de uma força plenamente organizada da classe trabalhadora capaz de se opor aos seus interesses, demonstrando-se isto na Palestina com o avanço do genocídio e a nova colonização representada pelo “Plano Trump”, a ofensiva neoliberal contínua na América Latina e o avanço da extrema-direita em todo o mundo. Ao mesmo tempo, a classe trabalhadora demonstra em todo o mundo o seu potencial revolucionário – ainda que de forma espontânea e, portanto, de modo desorganizado, não direcionado completamente pelos seus interesses enquanto classe –, a partir dos exemplos dos levantes de solidariedade à Palestina em todo o mundo, como a Flotilha Global Sumud e as mobilizações na Itália, Estados Unidos, Alemanha, a resistência nos Estados Unidos contra o ICE (a Gestapo de Trump), e no Brasil a demonstração de força da classe trabalhadora contra a PEC da Blindagem.
É acreditando nesta força que apresentamos esta Plataforma e este chamado a todas as organizações partidárias, militantes independentes, CAs, DAs, Coletivos, entre outros, para que voltemos nossa atenção à atual situação do movimento estudantil da UFRGS: antes tínhamos um movimento estudantil que, mesmo no pós-pandemia, se mobilizou constantemente contra o governo Bolsonaro e sua intervenção na universidade, que lutou em defesa da permanência estudantil, contra a matrícula provisória e por um intercampi no Litoral e em POA. Se tínhamos um movimento que, apesar de suas diversas e inúmeras fraquezas, se propunha a mobilizar a base estudantil e a se colocar em solidariedade a lutas fundamentais - como a Retomada Indigena pela Casa do Estudante Indigena, a Retomada Gah Re, a luta por melhores condições na Casa de Estudantes, a luta pelo aumento no valor das bolsas e por uma Lei das Bolsas, etc -, hoje nos deparamos com um cenário bastante distinto.
Agora, sequer temos um movimento morto. O DCE foi reduzido a um caráter representativo, controlado por diversos interesses que não são os da classe trabalhadora e dos povos oprimidos do Brasil e do mundo, mas que servem às agendas eleitorais nacionais, do aparelhamento pela Reitoria de Márcia e Pedro, pelo sindicato patronal da ADUFRGS – alinhado nacionalmente pelo PROIFES, “sindicato” cartorial nacional submisso aos governos petistas e criado exclusivamente para este fim. Isto é o que vimos neste último ano: um DCE que se colocou como o início e o fim do movimento estudantil. O fato de não termos a realização de Conselhos de Entidades de Bases (CEBs) e Assembléias Gerais, de diversos CAs e DAs em que forças da oposição estão presentes não sendo chamados para as reuniões organizadas pelo DCE em cada campi, é apenas consequência de uma visão reduzida de todo o potencial do movimento estudantil. As reivindicações por vias institucionais, embora sejam importantes e um meio de demanda direta, são, por natureza, limitadas. Na verdade, a utilização apenas deste meio demonstra uma fraqueza, especialmente quando as forças conservadoras da universidade tentam impedir avanços, como os de solidariedade à Palestina por meio do rompimento com empresas israelenses e a demanda por Cotas Trans na universidade.
Para nós, da UJC, a juventude do Partido Comunista Brasileiro e Revolucionário (PCBR), consideramos que as próximas eleições não são apenas sobre quem será a direção do movimento estudantil, mas sim, qual o movimento estudantil que queremos. Afinal, não podemos de modo algum tomar como natural o retorno ao DCE pelo campo democrático-popular petista (UJS, JPT, Levante, Afronte, JPL) após pelos menos 4 anos com gestões da Oposição. Mas temos a compreensão que mesmo na Oposição ao setor majoritário na UNE não está claro e definido qual deve ser o caminho para todo o movimento. Deste modo, essa Plataforma, construída desde as eleições do DCE de 2024 e pela nossa experiência no 60º CONUNE, é um chamado à discussão e ao balanço de nossas construções prévias, um chamado à luta, à construção de um movimento estudantil sob novas perspectivas. Os pontos elencados abaixo representam alguns pontos fundamentais, mas que de forma alguma representam um fim em si mesmo: é apenas o início da construção de um movimento estudantil revolucionário e socialista.
Para Reconstruir o Movimento Estudantil!
Queremos um movimento estudantil universitário que tenha como objetivo central lutar pelas demandas mais imediatas do corpo estudantil e da classe trabalhadora de forma combativa e radical visando transformar a universidade em um espaço a serviço do povo e não dos interesses privados que hoje moldam uma educação precarizada e com a lógica meritocrática e mercadológica. Tudo isso só é possível retomando o horizonte socialista como norte. Afinal, o movimento estudantil, apesar de não ser um pilar fundamental da revolução, deve cumprir o papel de ser um dos principais aliados e agitadores.
Entendemos, assim, que o DCE precisa se tornar uma força capaz de instigar, organizar e direcionar as lutas estudantis como um movimento de massas, uma força incitadora e provocadora de mobilizações da base, de forma que essas lutas sejam orientadas pelos interesses da classe trabalhadora. Nesse sentido, é fundamental retomar e fortalecer os espaços de decisão e mobilização, como as Assembleias Gerais da UFRGS e o Conselho de Entidades de Base (CEB), garantindo sua realização mensal e com capacidade soberana de direcionar todo o movimento. Mas mais do que isso: precisamos que estes espaços voltem a ser de todos os estudantes, não apenas para as organizações disputarem entre si, mas que o conjunto do corpo estudantil faça parte do processo de disputa e organização das lutas por suas demandas. Precisamos fortalecer a auto-organização estudantil, para sermos de fato a faísca que comece o fogo: portanto que o movimento possa caminhar para além das organizações partidárias envolvidas.
Nesse sentido, é importante reivindicar demandas históricas:
- Construir o Centro das Licenciaturas, de forma a unificar as demandas e interesses dos diferentes cursos de licenciatura da universidade e trazer um fórum comum de diálogo em luta por uma educação popular;
- Estruturar o Fórum de Representações Discentes, que permita a articulação dos interesses estudantis dentro dos diferentes órgãos colegiados da universidade,
- Apoiar e potencializar outras movimentações de reorganização no movimento estudantil enquanto direção do movimento, como rearticulação de CAs e DAs, novos órgãos e coletivos independentes, compreendendo a força em potencial destas movimentações.
Para além da mobilização e direcionamento do movimento, a formação e a propaganda comunistas são indispensáveis para a construção de um movimento estudantil revolucionário massificado. A participação no próprio movimento é um espaço de formação a partir de suas mais diversas experiências que devem ser qualificadas e avaliadas de forma crítica. Portanto, também é um espaço de potencial construção de formação marxista sobre diversos assuntos, desde a história do movimento estudantil e formação social brasileira até as bases do marxismo-leninismo e a construção de uma revolução socialista.
Pelo compromisso com a auto-organização estudantil, essa sendo ferramenta fundamental do horizonte socialista, o movimento estudantil deve buscar inserções de qualidade em diferentes movimentos e seções do movimento universitário, potencializando a organização da nossa classe. Nesse sentido, é fundamental o diálogo e construção conjunta com diferentes coletivos (como o Coletivo de Estudantes Indígenas, o Coletivo de Mães da UFRGS, o Coletivo Favela UFRGS, a Rede Elu e etc), bem como também manter articulação constante com técnicos, docentes e terceirizades de forma a contemplar as lutas particulares em torno de um projeto de universidade popular.
Por uma UFRGS popular!
O Movimento Estudantil precisa ter um projeto político para o ensino superior federal atrelado a um projeto para a sociedade brasileira. A UJC, a juventude do PCBR, defende que devemos ter como rumo a construção da Universidade Popular – projeto histórico da universidade socialista. Isso passa tanto por uma análise crítica da produção de conhecimento na universidade burguesa e para onde vai a força de trabalho formada nas nossas universidades, como também por uma análise das estruturas que temos em nossa universidade e o que elas significam perante a divisão do poder político-institucional e externo a ela. São fundamentais nesse processo de construção de uma nova universidade, em uma disputa travada ainda dentro do capitalismo, iniciativas que auxiliem, mediante à conscientização, a construção da auto-organização da classe trabalhadora e seus aliados na comunidade universitária.
Medidas como: a participação de organizações da classe trabalhadora nos conselhos da universidade, nas figuras de representantes de movimentos sociais e populares, sindicatos, comunidades tradicionais brasileiras (como os povos quilombolas e indígenas), sendo vital este processo tanto como a ampla democratização daquele espaço em busca de uma paridade representativa; a luta em defesa de uma estatuinte universitária, em que possamos alterar o Estatuto e Regimento da UFRGS, visando garantir a paridade e o voto universal, além de alterações estruturais que transformem nossa Universidade em uma Universidade Popular, de orientação socialista; o livre e pleno acesso pela classe trabalhadora de nosso país à universidade com o Fim do Vestibular e a expansão das cotas, por meio de novas modalidades de acesso voltadas à parcela da população estruturalmente oprimida (como a população trans); o fim da matrícula provisória,que gera desigualdade no ingresso universitário, causando incerteza e insegurança, além de responsabilizar os próprios estudantes por seu ingresso e permanência ou não na instituição; o fim da terceirização e a efetivação sob o regime estatutário de cada trabalhador terceirizado; congregar os setores combativos de cada segmento da universidade, visando consolidar a atuação conjunta em torno de um projeto de universidade popular, organizando o germe do Conselho Popular que deve conduzir a universidade.
Em defesa de um movimento estudantil independente!
O movimento estudantil esteve no cerne das principais mobilizações na história de nosso país. Por essa razão, sempre foi duramente atacado e sabotado pelos interesses da classe dominante. Afinal, sabem que para manter sua dominação, o pensamento crítico é um perigo a ser contido. Para desmobilizar o ME, é crucial manter este sob uma direção acrítica, movida por interesses puramente reformistas no cenário político burguês. Em nada surpreende, enquanto comunistas, perceber que a maioria das organizações que representam es estudantes estão guiadas pela esquerda neoliberal após um longo período em que a queda das principais experiências revolucionárias possibilitou um cenário de desmobilização. Querem que os espaços de discussão e práxis do corpo estudantil estejam aparelhados por instrumentos ideológicos que perpetuam a lógica do sistema capitalista - mesmo que sob um viés “progressista” – e, na prática, dificultando a educação revolucionária das massas e colocando esta a serviço da democracia burguesa.
Para superar esse entrave, precisamos resgatar pelas bases a independência política de governos e reitorias! É central para o Movimento Estudantil a sua independência e não devemos arredar o pé quando se trata de nossos direitos; que sejamos intransigentes em nossas lutas. Para avançarmos, é necessário romper com essa lógica de cercear o espaço de crítica com medo da vinda da extrema-direita: eles já estão vindo, fortalecidos pela fraqueza da esquerda hegemônica no movimento e só poderemos pará-los quando, sem medo, ousarmos lutar e formular novos caminhos do movimento. Fortalecidos pelos deslizes de um governo que concilia e acaba de mãos vazias. De governos neoliberais não temos nada a esperar a não ser oposição!
Isso, no entanto, não nega o diálogo e as construções conjuntas com outros partidos e coletivos, pelo contrário, clama por um movimento estudantil forte, combativo e que não se deixe morrer com falsas promessas. Para caminharmos em direção à universidade popular não é possível contar com aqueles que não se colocam contra a manutenção da austeridade fiscal sob o Novo Teto De Gastos. Não há educação de qualidade sem orçamento. Estão descartados também aqueles que se omitem diante do projeto privatista do Ministério da Fazenda: o movimento estudantil nasce na faculdade mas deve ir além dela, estudantes também são, em sua maioria, trabalhadores e somos todos afetados pelo projeto de desmonte da máquina pública em curso no Brasil.
Um movimento estudantil combativo e consequente não pode ser dirigido por interesses que destroem a universidade pública! Enquanto se aprova um regime fiscal austericida, a função de órgãos representantes que são aparelhados pelo governo federal - como o DCE da UFRGS sob a UJS, JPT, Levante Popular da Juventude e Afronte - é dissuadir os estudantes dos ataques promovidos pelo Ministério da Fazenda. Rechaçamos a pelegagem e defendemos um movimento estudantil livre para pensar e agir pela emancipação de nossa classe!
UFRGS é território dos povos originários e do campo!
A UFRGS deve ter como uma de suas prioridades a ampliação do ingresso, assistência e permanência de estudantes indígenas, quilombolas, e de todos os povos do campo; respeitando sua auto identificação cultural e regional. Esta permanência se materializa com: a manutenção e reforma da Casa do Estudante Indígena, que se encontra abandonada pela Reitoria de Márcia e Pedro até o momento; a Criação da Casa do Estudante do Litoral Norte e a oferta de vagas ociosas no Litoral voltadas para estas populações; a criação de bolsas permanência internas para indígenas e quilombolas; e pela garantia de assentos permanentes nos Conselhos da Universidade (CONSUN e CEPE). Sabemos que estes são passos iniciais para a criação de melhores condições destes povos na UFRGS e é nesse sentido que é fundamental que o DCE esteja em constante diálogo com organizações representativas destes.
Pela integração plena da classe trabalhadora na universidade!
Grande parte des estudantes da UFRGS também precisam trabalhar para se manter na universidade, enfrentando jornadas exaustivas de trabalho 6x1, além da carga horária dos estudos, trabalho doméstico e de cuidado, consolidando condições que esmagam e adoecem, dificultando profundamente a permanência e formação des trabalhadores. Por isso, a luta pela permanência e pelo acesso devem ser prioridade central de um movimento estudantil revolucionário e deve partir de uma perspectiva de classe, reconhecendo que o acesso à universidade só é pleno quando acompanhado de políticas de permanência efetivas.
Na luta pela construção de uma universidade pautada pelos interesses dos trabalhadores, é fundamental que após o acesso à instituição a permanência dos estudantes seja garantida. Devemos, portanto, conquistar na nossa disputa pela hegemonia: uma reestruturação e universalização das políticas de permanência e assistência estudantil, advindas de recursos públicos direto, sem intermédio da iniciativa privada, garantindo soberania nas deliberações feitas por e para a comunidade universitária, nos interesses históricos da classe trabalhadora; ampliação das moradias estudantis e suas vagas, garantia de condições dignas, com políticas que acolham toda a classe trabalhadora; Restaurantes Universitários com acesso livre e de qualidade para toda a comunidade universitária, com a incorporação da agroecologia e a integração do ensino, pesquisa e extensão na produção de alimentos de pequena agricultura; o passe livre, saindo em defesa da estatização do setor de transporte público.
Nesse sentido, também compreendemos como fundamentais as seguintes demandas:
- Por melhores condições para a CEU e para a Casa do Estudante da UFRGS!
- Por melhores condições para a Casa do Estudante Indígena!
- Ampliação de direitos para bolsistas e estagiáries! Pela remuneração de estágios obrigatórios e férias remuneradas
- Pela ampliação dos cursos noturnos! Articular junto a diretórios a possibilidade de cursos noturnos!
- Por uma Comissão de Revisão do Edital do Vestibular e do SISU! Para que possamos estabelecer um diálogo que encontre formas de facilitar o processo burocratizado de ingresso de estudantes cotistas, acabar com a Matrícula Provisória e ampliar as cotas, na luta pelo fim do vestibular!
- Por uma UFRGS segura para todes! Aprofundar as discussões de segurança da comunidade, colocando enquanto tema central o combate às opressões de gênero, raça e da população LGBTQIA+
- A saúde mental deve estar na ordem do dia! Abrir discussões sobre a relação entre a permanência e a saúde mental, compreendendo que a universidade burguesa em sua lógica de produção atual é um dos principais obstáculos.
- Por melhores condições nos RUs! Abrindo o RU6 para a janta, garantindo melhores condições aos RUs já existentes e a abertura do RU8!
- Revisão das Normas Básicas de Graduação! Fim do ordenamento como dispositivo de hierarquização e exclusão de estudantes!
- Por melhores condições de assistência, integração e permanência para estudantes migrantes e refugiados!
Universidade a favor da 4x3
O final de 2024 foi marcado pela ascensão de uma pauta histórica do proletariado: a luta pela redução da jornada de trabalho. Após anos de batalhas defensivas contra a perda de direitos trabalhistas, a luta contra a escala 6x1 representou uma nova ofensiva do proletariado, mobilizando milhares de trabalhadores de todo o país para a conquista de melhores condições de trabalho. A pressão da classe trabalhadora unificada em torno da pauta foi tão grande, que até mesmo políticos de direita e o governo neoliberal Lula relutantemente se viram obrigados a manifestar “apoio” à luta.
No entanto estes pequenos avanços significam apenas que não podemos baixar nossas bandeiras! Sob justificativa do pragmatismo, muitos setores defendem “voltar” para a escala de trabalho de 40 horas semanais, em regime 5x2. Ora, em mais de 100 anos de desenvolvimento, como os trabalhadores seguem com jornadas de trabalho abusivas, se a economia nacional mais que se triplicou nesse período? A verdade é que, no capitalismo, todo excedente de produção – as inovações tecnológicas – se tornam propriedade privada da pequena classe burguesa que lucra, e muito, com a exploração da força de trabalho.
Entendemos que a manutenção de jornadas de trabalho exaustivas constitui um enorme obstáculo ao acesso e à permanência de trabalhadores nas instituições de ensino. As universidades, que para muitos representam uma oportunidade de obtenção de melhores condições de vida, infelizmente seguem como espaços hostis a todes que necessitam dedicar a maior parte de seu tempo à labuta. A construção de uma universidade popular — acessível a todes e cuja produção de conhecimento sirva aos interesses da classe trabalhadora — depende imprescindivelmente do fim da escala 6x1 e de toda prática exploratória que impossibilite uma vida digna para além do trabalho. Tendo em vista o importante papel que o movimento estudantil historicamente cumpriu enquanto força auxiliar nas lutas da classe trabalhadora, reconhecemos como uma tarefa essencial ampliar as discussões sobre a pauta e mobilizar estudantes, técnicos, terceirizados e docentes da UFRGS para se somarem à luta pela escala 4x3, com não mais que 30 horas de trabalho semanais e sem reduções salariais. Assim como potencializar movimentos da cidade e do estado que visem reivindicar melhores condições de trabalho, como no caso da mobilização dos trabalhadores do Zaffari contra a escala 10x1.
Pelo fim das relações com Israel
Fincados no Internacionalismo Proletário, compreendendo a classe trabalhadora brasileira como parte do exército internacional do proletariado, o movimento estudantil cumpre um importante papel na luta em defesa dos povos oprimidos no mundo. A universidade é um dos maiores polos políticos da luta em solidariedade à Palestina no mundo, e o movimento estudantil deve se mobilizar pelo rompimento das relações do Brasil com Israel, bem como pela luta por um embargo diplomático, econômico, militar e energético total contra esse Estado colonial e genocida. Para isto, é necessário concretizar uma série de movimentos a nível do movimento universitário, de forma a se converter em pressão e mobilização a nível nacional e, consequentemente, virar exemplo na luta internacional. Afinal, interromper a produção de conhecimento das universidades brasileiras para a indústria israelense é fundamental para romper com a cumplicidade com o genocídio que hoje se perpetua na Palestina e dar ao povo palestino melhores condições de resistência. Sendo assim, é necessário pressionar as diferentes unidades da UFRGS pelo fim das relações com diferentes empresas e instituições israelenses, especialmente a AEL Sistemas, subsidiária da Elbit Systems, responsável por 80% do aparato militar de Israel, a partir de diferentes ferramentas. Para que possamos fazer o enfrentamento de fato precisamos fortalecer o Comitê de Solidariedade à Palestina na UFRGS, enraizando em cada campus, unidade e curso esta luta. Entendemos que é importante a defesa de:
- O movimento estudantil brasileiro tem a responsabilidade histórica de forçar o Estado brasileiro a cortar todas as relações com Israel! O Brasil hoje sustenta acordos econômicos, energéticos, militares e diplomáticos que sustentam, legitimam e financiam o apartheid e a ocupação colonial da Palestina. Nas universidades, há uma profunda relação por meio de parcerias acadêmicas que contribuem de modo direto ao genocídio.
- Diálogo com diferentes diretórios acadêmicos, sobretudo aqueles que incentivam relações com a AEL Sistemas através de visitas ou programas de estágios ou que estão em unidades que tenham relações com empresas e instituições israelenses, para discutir a necessidade de rompimento de relações com qualquer base de apoio do aparato colonial estadunidense.
- Pressão sobre as unidades da UFRGS que ainda mantêm relações com a AEL Sistemas, como o Instituto de Informática, para o rompimento imediato de relações e para promover solidariedade à luta palestina. Afinal, apesar da aprovação no Conselho Universitário de uma moção de repúdio às relações institucionais com a AEL Sistemas, é necessário pressionar por uma medida de rompimento total de relações com a empresa e demais instituições israelenses.
- Precisamos que cada estudante e trabalhador da universidade entenda a responsabilidade histórica que nos cabe! Eventos como rodas de conversa e formações em conjunto com diferentes setores da universidade para aprofundar o conhecimento do movimento universitário sobre a história da Palestina e da ocupação israelense, de forma a qualificar as denúncias ao genocídio.
- Realização de atos políticos em diferentes datas, como em maio para relembrar a Nakba ou em outubro para relembrar a Operação al-Aqsa e a intensificação do genocídio na Palestina, para demonstrar a materialidade da mobilização da UFRGS em torno da pauta e, consequentemente, ser um ponto de pressão e também de demanda ao governo federal para romper relações diplomáticas e econômicas com Israel. Também é importante para mostrar que o movimento sionista e suas manifestações não são bem-vindos na universidade.
Luta pelo fim da terceirização
Em defesa dos direitos e dignidade de toda a comunidade universitária, lutamos pelo fim do regime de terceirização na UFRGS e pela contratação estatutária de todos que hoje estão sob a terceirização, que precariza o trabalho e os serviços dentro da universidade. A luta dos estudantes é aliada à luta dos terceirizados! É necessário defender a estabilidade e os direitos trabalhistas daqueles que mantêm a universidade viva e funcionando, proteger os trabalhadores de situações degradantes promovidas pelas empresas responsáveis pelos serviços prestados à universidade, como Nascimento, Multiservi e EQS, contratadas com recursos públicos que poderiam ser destinados a dar condições dignas de trabalho. O fim do regime de terceirização significa a melhoria da qualidade dos serviços prestados à comunidade universitária e melhores condições de trabalho e de uma vida digna para estes trabalhadores.
Pela revogação do Teto de Gastos e contra as privatizações!
O desmonte da educação pública no Brasil tem relação direta com o arcabouço fiscal implementado por Fernando Haddad. Apesar de todo o enfeite, sabemos que o arcabouço fiscal é, na prática, a reafirmação de um Novo Teto de Gastos e o enraizamento da política de austeridade no governo. Na educação superior é evidente: frente à redução do orçamento das universidades, potencializada pela inclusão do pé-de-meia no orçamento da educação, enfrentamos um dos principais obstáculos na instalação das políticas de permanência necessárias, da expansão no número de vagas e abandona à própria sorte a estrutura das salas de aula, bibliotecas, laboratórios que abrigam quase toda a produção acadêmica nacional.
O processo de sucateamento da universidade pública não é por acaso: ele ocorre ao mesmo tempo em que a burguesia da educação, os “tubarões da educação” se erguem, com ajuda direta dos governos Lula I e II, fortalecendo grupos como a Cogna Educação, a YDUQS, a Anima e etc., que mercantilizam a educação e através de cursos em formato EAD, que capacitam de forma muito precária a juventude trabalhadora – juventude esta que não consegue permanecer na universidade pública pois esta não foi pensada para a sua permanência. É nesse sentido que entendemos que é impossível hoje tratarmos da universidade pública sem tratarmos do orçamento: sem que ela e a sua produção de conhecimento e de profissionais seja plenamente financiada e estruturada, a juventude trabalhadora não poderá sequer permanecer na universidade até o fim do curso.
Além disso, sabemos que nosso papel se expande para além das lutas por melhores condições de ensino público. Essa luta é apenas parte da luta mais ampla em defesa dos direitos de acesso da classe trabalhadora aos recursos de nosso país. Nossa luta não é apenas pela educação pública e contra a privatização de escolas e do uso privados das universidades públicas, mas que ela seja feita e pensada para es trabalhadores. Nossa luta não é apenas contra a privatização do DMAE, mas pelo direito de acesso à água pela classe trabalhadora. Nossa luta não é apenas pela contra a privatização da Trensurb e pela estatização das empresas de ônibus municipais e intermunicipais, mas pelo acesso da classe trabalhadora à cidade e pelo seu direito à plena circulação na cidade! E é papel do movimento estudantil compreender isso e ser linha de frente junto a classe trabalhadora contra qualquer ataque!
A luta pela nossa sobrevivência apenas começou!
Enquanto a população sofre com ondas de calor, desastres ambientais, os efeitos da poluição e consumo de agrotóxicos dos alimentos, os interesses capitalistas seguem queimando petróleo, contaminando nossa água e devastando os ecossistemas brasileiros em nome do lucro. Diante dos desastres cada vez mais frequentes no estado, que demonstram a contradição entre capital e natureza, precisamos de um DCE combativo e comprometido: seja na solidariedade e apoio aos afetados pelos eventos extremos, em medidas de adaptação ou no enfrentamento das raízes da crise ambiental que vivemos, o DCE deve articular, somar e mobilizar ações dentro e fora da universidade que direcionam ao meio ambiente equilibrado e à saúde dos estudantes. Nesse sentido, entendemos que é fundamental:
- A reformulação do Comitê de Assessoramento Técnico para Eventos Climáticos, visando que ela tenha em sua composição estudantes e que seja paritária, visando o apoio às iniciativas de dentro e fora da universidade, compreendendo o papel que a Universidade tem com a sociedade.
- É urgente aprimorar o Protocolo Climático e garantir a pressão para que seja posto em prática! Estudantes e técnicos não podem mais ser prejudicados em dias de evento meteorológico extremo, perdendo aulas importantes ou se expondo a riscos.
- Em todos os campi encontramos problemas na infraestrutura que se agravam em situações de eventos extremos: os alagamentos nos campi a cada chuva, a falta de ar-condicionado durante ondas de calor, goteiras nos dias de chuva, entre tantos outros problemas. Casos esses que devem ser mapeados pelo DCE ao reivindicar a urgência na realização das reformas.
- A mudança climática já é a maior ameaça global à saúde, Respiramos um ar cada vez mais poluído, comprometendo nossa saúde respiratória, as lavouras do Rio Grande do Sul utilizam em larga escala defensores agrícolas que causam câncer, e o risco de morte por desconforto térmico é maior a cada ano. A luta pelo equilíbrio ambiental é a luta pela nossa sobrevivência.
- Seja pela contaminação da água potável, pelo contato com doenças sensíveis ao clima, o agravamento de problemas respiratórios e cardiovasculares, pelos ferimentos decorrentes de todo tipo de evento climático extremo, etc. É fundamental que tenhamos um DCE que compreenda a responsabilidade da universidade diante disso, que pressione o engajamento direto da universidade na busca por soluções que contemplem a segurança e a saúde da classe trabalhadora.
- Nesse sentido, a universidade precisa também agir no enfrentamento da crise ambiental! Fortalecendo no seu tripé de pesquisa, extensão e formação a centralidade da preocupação com o meio ambiente equilibrado, da diversificação e transição energética, educação ambiental, medidas de adaptação, etc. a UFRGS deve servir aos interesses do povo, as reais vítimas da crise climática, jamais aos dos grandes empresários que lucram diretamente com a destruição da natureza.
Um chamado à luta!
Esta Plataforma é um chamado a toda pessoa que quer um movimento estudantil que represente, acima de tudo, os interesses da classe trabalhadora, dos povos oprimidos do Brasil e do mundo, e de cada estudante da UFRGS. Nosso chamado é à construção de um movimento estudantil que tenha como objetivo honrar com o papel histórico que já cumpriu e que deverá cumprir. Convocamos não apenas as forças de oposição, como o UJR/Correnteza, MES/Juntos!, o MRT/Faísca, o Fortalecer/Ocupe, o Alicerce e o PSTU/Rebeldia, para a construção de um caminho combativo para o movimento estudantil, mas também a todo Coletivo (dentro ou de fora da universidade), Centro e Diretório Acadêmico, indivíduo, etc, que compreenda a necessidade de um movimento estudantil que se coloque à altura de nossas demandas e das demandas que a história coloca sobre nós. Da necessidade de um movimento que apresente não apenas a condução do DCE, mas principalmente a defesa de um projeto de sociedade e um projeto de educação – que para nós é a defesa da Revolução Socialista e a construção da Universidade Popular. É apenas enraizando o movimento estudantil, potencializando a auto-organização estudantil e sendo capaz de enfrentar os ataques contra a educação pública, contra a classe trabalhadora, que de fato seremos uma alternativa de verdade.